24 de setembro de 2010

Abrigos não. Doação é a solução!

ABRIGOS DE ANIMAIS
                    por Lilian Rockenbach

Hoje em dia há um contingente muito grande de animais nas ruas. O abandono, a falta de responsabilidade dos donos que permitem que seus animais procriem indiscriminadamente, que não identificam seus animais devidamente para o caso de se perderem e falta de ação efetiva dos órgãos públicos para resolver o problema da superpopulação geraram, ao longo dos anos, essa triste situação. E o que fazer com todos esses animais que estão abandonados?

Amantes dos animais sofrem desde a infância ao vê-los abandonados. O sonho da maioria deles é o de abrigar todos os cães que existem pelas ruas.  Mas a realização desse sonho passa por impensáveis dificuldades e não é, nem de longe, a solução mais eficaz para o problema. Quem se aventura na realização desse sonho, na maioria das vezes, consegue abrigar uma quantidade ínfima da população canina abandonada. Cães alojados juntos se envolvem em brigas que podem acabar em morte. Falta verba para compra de ração, medicamentos, pagamento de funcionários, veterinários, vacinas, produtos de limpeza, etc. Surgem problemas com vizinhos. Há dificuldade para conseguir um lar para os cães, etc.

Sem ter uma idéia clara das dificuldades, dos problemas e das limitações, a realização desse sonho pode se transformar facilmente em pesadelo para todos os envolvidos.

É comum encontrarmos abrigos de cães em péssimas condições, sujos, com fezes e urina por toda parte, com excesso de cães para o espaço, com animais doentes sem tratamento e até sem ter o que comer. O problema maior enfrentado pelos abrigos é o fato da pessoa que decidiu investir nesse sonho sofre tanto de ver um animal abandonado que, na maioria das vezes, não consegue deixar de resgatá-lo, aumentando ainda mais o problema.

O número de cães errantes é muito maior do que a capacidade de qualquer abrigo, e quando se passa a pensar que “onde comem cinco, comem seis” normalmente este é o primeiro passo para uma grande armadilha. Outro grande problema muito comum nos abrigos é o fato do proprietário criar um “laço afetivo” com os cães e impedir sua adoção, quando isso acontece os cães param de ser doados porém não de serem resgatados, criando assim uma bola de neve.

Para piorar esta situação, quanto mais deteriorado for o estado dos cães no abrigo, mais difícil fica encontrar quem os queira adotar. Normalmente um possível adotante ao entrar num local onde se depare com sujeira, animais doentes, maltratados e machucados, tende a desistir da adoção. 

Os abrigos para cães e gatos, na maioria das vezes, acabam se tornando depósitos de animais, onde ao ser resgatado, o animal acaba perdendo a chance de ser reintroduzido na sociedade ficando no local por toda a sua existência. O abrigo deve ser apenas um local de passagem para os animais, não um lar definitivo. Mas, infelizmente, não é isso que acontece na maioria de abrigos pelo Brasil.

DOAÇÃO É A SOLUÇÃO!

6 comentários:

Claudia Pinelli® disse...

Concordo que doação é a solução.

Isso é fato e ponto pacífico.

Mas discordo quanto aos abrigos. O erro cometido por uns não pode ser a regra.

Precisamos consertar esse erros mencionados acima e ter abrigos decentes, limpos, com a estrutura necessária para que proporcionem dignidade para animais abandonados, maltratados e doentes, ATÉ que possam ser doados.

Não acredito que animais logo que retirados das ruas, doentes, com sarna, feridas expostas etc. sejam objetos de doação fácil. Não é mesmo? É necessário que ele se recupere para que seja efetivamente doado. Onde ficariam?

Em abrigos ou lares temporários dignos.

O problema não é o abrigo em si, mas a forma como muitos deles vêm sendo administrados e estabelecidos.

Essa é a minha opinião sobre o assunto.

Um bjo,


Claudia Pinelli.

Sinara Foss disse...

Cooncordo com a Claudia. Adoção é a Solução, mas até que esses anjos retirados das ruas estejam prontos para serem adotados eles precisam de um local limpo, arejado, comida, assistencia veterinaria, castrações, vacinas, banhos...
Um animalzinho bem cuidado é muito mais facil de encontrar um dono.
É preciso adotar SIM, mas é necessario que os CANIS Municipais mudem sua concepçao de TERROR/Fome/MAUSTRATOS/ Matança para LAR temporario.

Lilian Rockenbach disse...

Pessoal, aqui em São Paulo existem vários abrigos, e acreditem, paticamente todos transformaram-se em deposito de animais. Todos passam necessidades pois a população NÃO ajuda, todos tranformaram-se em local de abandono que amanhece com caixas e caixas de filhotes TODAS as manhãs, e NENHUM dá conta de recolocar os animais em casas pq gastam todo o tempo tratando dos animais que GANHAM todos os dias.

Sem falar no desespero quando a proprietária de um desses abrigos morre e centenas de animais ficam à mingua.

O correto é ter um centro de reabilitação, para no máximo 20 cães, com local NÃO divulgado para
a população, onde o cachorro é resgatado, reabilitado, castrado e doado.

Não acreditem em pessoas que garantem ajuda para quem construir um abrigo, porque cachorro é prioridade na vida de protetor de animal, o resto da população apenas gosta e sente dó, mas geralmente sempre que aparece um problema pessoal este passa a ser prioridade e fica lá o protetor tendo que implorar doação de ração pq os cães não tem o que comer, imagina se não tendo o que comer terão atendimento veterinário, remedios, vacinas, funcionários que cuidem da limpeza etc..

Vocês são protetoras como eu, e quantas vezes já repassaram pedidos de ajuda para protetores e abrigos cujos animais estão sem comida?

Expus uma realidade vivida por mim, nesses anos de proteção animal, visitando e tentando ajudar de alguma forma diversos abrigos que começaram sempre com o propósito de recolher alguns cães para ajudar, e depois transformaram-se em ponto de abandono... e daí a coisa saiu do controle.

E não se enganem se a Prefeitura lhe oferecer ajuda, pq quando vc aceita essa ajuda, passa a depender da Prefeitura e terá que ser conivente com as ações desta sem poder denunciar, pq se fizer isso os seus animais passarão necessidade. Isso sem falar que a administração municipal muda a cada 4 anos, portanto a cada 4 anos você não saberá se o novo prefeito vai dar continuidade ao trabalho do anterios.

Essa realidade, em particular, eu presenciei diversas vezes neste ano, em minhas vistorias em CCZs pelo estado de São Paulo. Protetores que sabiam que a prefeitura matava cães e não podiam denunciar por depender da ajuda financeira para alimentar os cães de seu abrigo, ou porque o abrigo funciona em terreno da prefeitura. Isso acontece inclusive aqui em São Paulo.

E canil municipal não é abrigo, aliás penso que não deveriam existir, pq as prefeituras estão se lixando para os animais. Eu já cheguei em canil municipal onde presenciei e filmei um cachorro comendo o outro por falta de comida. http://www.felicianofilho.com.br/2010/?page_id=266

Já cheguei em canil onde encontrei corpos cães separados de suas cabeças por que era dessa forma que o "tratador" matava os animais.
http://www.felicianofilho.com.br/2010/?page_id=264

Aqui vcs leem um pouco de minha experiencia em canis municipais: http://www.felicianofilho.com.br/?page_id=236 . Tem muitos outros relatorios que nao podem ser divulgados por conta do periodo eleitoral, mas tem ainda muita coisa feia para mostrar.

Tenho um centro de recuperação em minha casa, fico com no máximo 10 animais, NUNCA ultrapasso esse limite e somente resgato um após ter doado um. Isso é o que posso fazer com meu espaço, com meu tempo e com meu dinheiro. Sem depender de ninguém.

Claudia Pinelli® disse...

Entendo perfeitamente seu ponto de vista, Lilian. E sei que tem experiência, assim como eu, com essa realidade que tenta nos destruir as forças, dia após dia.

Sei também dessa celeuma que acabou de relatar. Não tem ninguém inocente a esse respeito.

A minha posição, nesse sentido, é parecida com a sobre castração. Para mim, castração tem que ser encarada como providência emergencial, uma vez que a situação de animais abandonados nas ruas e sua procriação desenfreada cresce a cada dia. Mas isso não deve ser uma política permanente, porque dessa forma, um dia não haverá nem cães nem gatos para contar a história.

Assim, encaro a questão dos "abrigos".

Mas como eu disse antes, o problema não está nos abrigos em si, muito menos nos animais. O problema todo se encerra nos seres humanos, não acha?

Eles (ou nós, nem sei mais se gosto de me incluir nessa raça infeliz.) sempre estragam tudo! São eles que não sabem administrar, são eles que roubam o pouco que ainda arrecadam, são eles que não ajudam e só fazem reclamar, são eles que abandonam animais nas ruas, são eles que maltratam esses mesmos animais... Enfim, volto a dizer, se os abrigos fossem administrados por pessoas como nós, (e claro!) recebessem ajuda substancial e certa, não teriam essa face que apresentam hoje em dia. E seriam um lugar decente, mas apenas temporário, em que os animais ficariam até estarem prontos para doação.

Mas todo esse debate se configura em tese. Pois como sabemos, no Brasil, estamos bem distantes de ter uma realidade decente para muita coisa.

Saiba, entretanto, que estamos juntas nessa luta e estarei sempre disponível para ajudar no que me for de minha possibilidade.

Um bjo,

Claudia Pinelli.

Sociedade Protetora dos Animais de Pirangi disse...

Concordo em todos os pontos. Sou a favor de provisoriamente o animal ir para um lar de passagem, onde o responsável está todo dia em contato com o animal e está empenhado em providenciar um lar definitivo o mais breve possível. Com os abrigos há um certo relaxo com a urgência em arrumar um lar definitivo.É fácil comparar: qual a média de tempo que um cão fica aguardando adoção em um abrigo: meses. E em uma lar de passagem de voluntário de ONG ? Aqui em casa costumo arrumar donos definitivos em torno de 1 á 3 semanas, depois do animal cuidado por veterinário.

APABG disse...

Quem concorda com abrigo deveria apresentar pelo menos o BOM EXEMPLO de um! Nunca ouvi falar de um sequer exemplar no Brasil. Nem mesmo nos EUA, onde os abrigos são limpos, bem projetados, animais chipados, leis de proteção, verbas que chegam... o destino dos animais é exemplar! Lá eles permanecem pouco tempo, 7 dias... depois são eutanasiados. Há pouco tempo saiu a notícia na ANDA de um pastor , condecorado como herói de guerra, que foi parar em um desses abrigos. Não o resgataram a tempo e ele foi morto.